1. SEES 1.5.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  UMA LOUCURA COM MTODO
3. ENTREVISTA  WENDY KOPP  UMA MISSIONRIA DA EDUCAO
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O MURO DE ARRIMO DO DOUTORZECO
5. MALSON DA NBREGA  FEDERALISMO: PERIGO  VISTA
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINSTEIN SADE  RETOCOLITE EXIGE TRATAMENTO CONSTANTE

1. VEJA.COM
EDITADO POR KATIA PERIN kperin@abril.com.br

MSICA NO ATACADO
O comrcio eletrnico de msica est mudando de formato. Em vez de comprarem faixas ou lbuns em MP3, cada vez mais consumidores optam pela assinatura de servios de screaming, que do acesso a catlogos com milhes de ttulos. E o Brasil entrou de vez na mira do setor, que espera faturar 34 milhes de dlares em 2013. Rdio e Deezer foram os primeiros a desembarcar por aqui, e o Spotify, o servio mais popular do mundo, j est a caminho. Reportagem de VEJA.com mapeia os novos negcios de msica na nuvem e explica por que a onda do "Netflix da msica" est finalmente em condies de alcanar o consumidor brasileiro.

O UNIVERSO NA JANELA
No livro Planetfall, o fotgrafo e cineasta americano Michael Benson cria um retrato do universo com base nas imagens registradas por misses espaciais realizadas entre os anos 2000 e 2012. Benson utiliza material bruto das agncias espaciais e rene tudo para formar uma nica cena. As imagens de Planetfall se tornaram uma exposio, que est atualmente em Washington, nos EUA. Em entrevista ao site de VEJA, Benson fala sobre o processo de criao de seu trabalho e seu interesse pela explorao espacial.

O PRIMIERO VOO DO DRONE VEJA
VEJA estreia nesta semana seu aeromodelo controlado a distncia com uma gravao feita no Estdio do Maracan. Como os leitores podero conferir no vdeo da edio para tablets e num clipe em VEIA.com, o drone  capaz de gravar voando bem de perto e oferece uma perspectiva nica do gramado e das arquibancadas, recm-reformados.

 O GURU DOS CEOS
Autor de mais de trinta livros de gesto e liderana, o americano Marshall Goldsmith  um dos coaches de executivos mais respeitados dos Estados Unidos. A lista de seus alunos inclui Alan Mulally, presidente da Ford, e o general Eric Shinseki, que chefiou o gabinete das Forcas Armadas dos Estados Unidos. Goldsmith esteve no Brasil na ltima semana e conversou com VEJA.com. "O Brasil precisa tomar cuidado com o perigo do sucesso. Em qualquer organizao, quanto maior o sucesso, maior pode ser a armadilha da arrogncia e da presuno.  algo em que os CEOs brasileiros precisam pensar. Uma luz amarela para eles", disse.


2. CARTA AO LEITOR  UMA LOUCURA COM MTODO
     Fazem parte da mesma constelao autoritria as tentativas de censurar a imprensa, de criar listas fechadas de candidatos, de estabelecer o financiamento pblico de campanha nas eleies e  o que causou a maior perplexidade, na semana passada  a proposta de emenda constitucional que submete o Supremo Tribunal Federal (STF)  vontade dos deputados federais e senadores. Liguem-se os pontos e o que aparece com assustadora clareza  a mesma pauta de supresso das liberdades individuais que vem sendo implantada de forma inclemente na Argentina e na Bolvia, depois de quase inteiramente imposta na Venezuela. 
     Uma reportagem desta edio mostra que a aprovao da emenda bolivariana pela Comisso de Constituio e Justia (CCJ) da Cmara dos Deputados, em Braslia,  uma afronta aos brasileiros tambm por ter contado com votos de mensaleiros condenados  priso pelo prprio rgo, o STF, que eles agora querem estorvar. A iniciativa , em si, nefasta. Sim, a emenda  facilmente derrubvel por ser um golpe no sagrado conceito da independncia e harmonia entre os poderes da Repblica. A proposta dos radicais, porm,  um veneno para a liberdade, pois evoca, como lembrou o ministro do STF Gilmar Mendes, a Constituio  de 1937, "em que o presidente da Repblica podia cassar decises do Supremo e confirmar a constitucionalidade de leis". Para quem no se recorda, a Constituio de 1937 foi o alicerce jurdico do Estado Novo, a primeira e degradante experincia ditatorial do Brasil republicano, conduzida por Getlio Vargas em um momento histrico em que a democracia estava sendo desafiada na Europa por regimes fascistas. 
     Que ningum se engane, portanto, quando deparar com as propostas de dificultar a criao de partidos, de estabelecer listas fechadas, o financiamento pblico de campanhas, o controle da imprensa ou do Judicirio. Elas nada tm de inocentes. Fazem parte da mesma concepo distorcida de sociedade que, espantosamente, s sobrevive entre os radicais do PT no Brasil e seus hermanos ideolgicos na Argentina, Bolvia e Venezuela. Excludos pases inviveis como Cuba e Coreia do Norte, no resto do mundo, da China ao Vietn, da frica do Sul  Nigria e no Leste Europeu, os governos, suas instituies polticas e jurdicas esto empenhados em se abrir, modernizar-se, educar o povo e fortificar a classe mdia. S no eixo Caracas-La Paz-Buenos Aires, do qual a presidente Dilma Rousseff tem guardado sbia e dirigente distncia,  que ainda sobrevive o caudilhismo bolivariano.  pattico.


3. ENTREVISTA  WENDY KOPP  UMA MISSIONRIA DA EDUCAO
Ela nunca deu aula nem estudou pedagogia, mas lidera uma revoluo nas escolas que comeou h mais de duas dcadas nos EUA e est agora em outros 25 pases.
ANDR PETRY, DE NOVA YORK

Quando estava no ltimo ano da Universidade Princeton, Wendy Kopp teve uma ideia que a todos pareceu maluca. Ela se props a recrutar alguns dos mais brilhantes universitrios recm-formados e coloc-los para dar aula nas escolas mais miserveis dos Estados Unidos. Apostou-se que ela conseguiria convencer algumas dezenas. Wendy queria 500. Conseguiu 2500. Assim comeou o Teach for America, que hoje tem 10.400 professores lecionando para 750.000 crianas americanas. Com o nome de Ensina!, o programa chegou a outros 25 pases, entre os quais Argentina, Chile, Colmbia, Mxico e Peru. No Brasil, ele emperrou. Na sala onde deu entrevista a VEJA, h uma mensagem na parede: "Acredite nas suas ideias malucas". 

A senhora j disse que, se tivesse experincia em educao, no teria criado o Teach for America. Por qu? 
Quando estava me formando em Princeton, no fim dos anos 80, sentia uma urgncia em criar algo como o Teach for America. Acho que esse sentimento era nutrido pela minha ingenuidade e inexperincia. Eu no sabia o que era impossvel, e toquei em frente. Se soubesse, talvez no tivesse feito o que fiz. 

Os universitrios que aderem ao programa tambm so movidos por certa ingenuidade? 
Sempre digo que precisamos deles agora, j, quando ainda so capazes de fazer, entre aspas, perguntas malucas, quando ainda so capazes de perseguir aquilo que outros julgam impossvel.  iluso achar que eles podem pegar o diploma, fazer carreira e depois voltar para dar aula aos pobres. No  assim que funciona. 

De onde veio o modelo de recrutar os melhores formandos e despach-los para as escolas pobres por dois anos? 
Na minha poca de faculdade, o pessoal de Wall Street batia  porta dos universitrios mais brilhantes para convenc-los a trabalhar por dois anos no mercado financeiro. Eram agressivos no recrutamento. Talvez por isso nossa gerao era chamada de "gerao eu", porque, aparentemente, s estvamos preocupados em enriquecer. Eu percebia que essa caracterizao era equivocada. O clma nas universidades era outro, as pessoas estavam em busca de algo significativo, transformador. Ento, pensei em recrutar os melhores, exatamente como Wall Street, e convid-los a passar os primeiros dois anos fora da universidade dando aula nas comunidades mais pobres do pas. Muitos imaginavam que ningum se interessaria. Deu-se o contrrio. Na verdade, o interesse tambm  imenso em outros pases. 

Inclusive no Brasil? 
Sim. O Ensina! comeou no Rio de Janeiro com a ideia de selecionar trinta jovens. Apareceram 2400 candidatos, nmero retumbante. Conversei com os selecionados. So jovens incrveis, bem formados e talentosos,  altura dos melhores universitrios americanos que recrutamos. 

Por que o Ensina! foi interrompido? Logo no comeo do trabalho, as circunstncias mudaram. A prefeitura do Rio no conseguiu garantir que nossos professores dessem aula no horrio regular da escola. Ento, eles passaram a lecionar depois do horrio normal, como se fosse um reforo escolar. Mas esse no  o nosso modelo. Nos Estados Unidos e nos outros 25 pases onde atuamos, nossos professores esto na sala de aula regular, assumindo integral responsabilidade pelo sucesso de seus alunos. Por isso, depois de dois anos, o trabalho foi suspenso. Agora o Ensina! est em busca de novas parcerias com estados e prefeituras. Tenho certeza de que o Ensina! ser um sucesso no Brasil.  s uma questo de acertar os ponteiros. 

Os professores tradicionais ficam incomodados com a chegada de gente sem formao pedaggica para dar aula? 
Cada pas tem suas peculiaridades. No  Estados Unidos, quando comeamos, em 1989, o primeiro passo foi colocar professores do Teach for America em escolas onde havia falta de professores tradicionais. Agora, temos gente em todos os tipos de escola. Em geral, nossos professores so recrutados atravs de um processo altamente seletivo, passam cinco semanas em treinamento intensivo e so ento colocados nas escolas, contratados pelos governos. So professores assim como os demais. 

Entre os recrutados, h formandos em pedagogia? 
Qualquer um pode se candidatar, mas no gastamos nossa energia procurando formandos em pedagogia. De todos os nossos professores, cerca de 3% se formaram em pedagogia. 

Por que to poucos? 
 evidente que h estudantes fantsticos de pedagogia, mas, na mdia, eles no representam os universitrios academicamente mais promissores. Nosso processo  muito seletivo. Procuramos jovens capazes de exercer liderana excepcional dentro da sala de aula, no importa a faculdade que tenham cursado. Nem sempre esses critrios nos levam ao pessoal da pedagogia. Alm disso, o problema  que muitos dos estudantes de pedagogia no querem dar aula nas comunidades pobres, que so o nosso alvo. 

A senhora acha que o Congresso americano deveria acabar, ou ser mais flexvel, com a obrigatoriedade de certificao de professores? 
 uma questo delicada. Por um lado, devemos nos preocupar em aumentar a qualidade dos professores. Por outro, no h correlao entre a exigncia de certificao e a qualidade dos professores. Ou seja: gastamos bilhes de dlares em um sistema ineficiente, que exclui muita gente boa da sala de aula. Se estivssemos criando nosso sistema agora, acho que no optaramos pelo modelo atual. Deveramos, em vez de pedir a certificao, apenas exigir que os professores fossem inteiramente responsveis pelo sucesso dos alunos. Ponto. 

Um bom professor nasce ou  criado? 
 criado. Procuramos selecionar universitrios com certas caractersticas. Escolhemos aqueles que acreditam no potencial de todas as crianas, que so incansveis na busca dos objetivos, que perseveram diante dos desafios, que so capazes de influenciar e motivar os alunos. Mas, alm dessas qualidades, eles precisam aprender a trabalhar com crianas e adquirir habilidades e conhecimentos para virar professores mais eficazes, mais decisivos. E tudo isso  ensinado. 

O que define um bom professor? 
No contexto em que trabalhamos, de escolas em comunidades desfavorecidas, o bom professor  o bom lder. Em nossa rede no Paquisto, h o caso exemplar da professora Anam Palla. Ela recebeu uma turma de sessenta meninas que estavam estudando na cidade para depois voltar para sua comunidade, casar e ter filhos. As garotas cursavam, o 1 ano do ensino mdio, mas tinham um atraso acadmico de quatro a cinco anos. Estavam no caminho do fracasso. Anam Palla definiu que seu objetivo seria preparar todas elas para entrar nas melhores universidades, se quisessem. Ela foi incansvel. Encontrou-se com os pais das meninas, estabeleceu um regime de trabalho duro. Algumas meninas voltaram para sua comunidade para casar e ter filhos, mas se tornaram defensoras da educao, convencendo outras famlias a mandar as filhas  escola. Outras acabaram nas melhores universidades. O que fez a diferena? S tenho uma resposta: Anam Palla  uma grande lder. 

Qual  a melhor estratgia pedaggica? 
Vi tantas que deram certo e tantas que deram errado que hoje acredito no seguinte:  preciso oferecer meios para que professores e diretores assumam responsabilidade integral pelo sucesso acadmico dos alunos. Eles precisam ter poder, flexibilidade para definir o currculo, decidir como o dinheiro ser gasto. Numa situao precria, faz sentido impor um currculo, mas tudo depende de como ele  implementado. 

O que acontece com os professores depois de dois anos dando aula? 
A experincia de ensinar em comunidades de baixa renda no tem impacto apenas nas crianas, mas tambm nos professores. Depois dos dois anos regulares, entre 60% e 70% dos professores estabeleceram-se na rea da educao como professores, diretores de escola, formuladores de polticas de educao. Na ndia, ningum acreditava que os universitrios se interessariam pelo programa. Tivemos 11.000 candidatos no primeiro ano, em 2008, e 70% seguiram na rea da educao. Nos Estados Unidos, em pouco mais de vinte anos, 37.000 deram aula e 80% tm hoje empregos relacionados  educao. Lembre-se: a quase totalidade desses jovens brilhantes no era da rea de educao. 

A taxa de reteno tambm  alta no meio rural? 
 menor, mas significativa. H pouco, visitei o Delta do Mississippi, onde atuamos h duas dcadas. Helena, uma comunidade muito pobre no Arkansas, alm da tradicional escola de ensino mdio que sempre teve, hoje conta com mais quatro escolas, todas dirigidas por ex-membros do Teach for America. Antes, 5% das crianas de Helena iam para a universidade. Hoje, todas esto no caminho do ensino superior. Perguntei  comunidade o que havia mudado nesses vinte anos. As pessoas disseram: a expectativa em relao s crianas. Um jovem contou que, em 1994, eram raros os estudantes que faziam o teste para a universidade e, quando tiravam 17, 18 ou 19, era uma festa. Agora, o sobrinho dele, que ainda est no 2 ano do ensino mdio, fez o teste, tirou 24 e eles querem saber como fazer para que ele chegue a 28 e possa entrar em qualquer universidade. Seis crianas de Helena entraram na Universidade Vanderbilt neste ano. 

Onde a presena do Teach for America fez mais diferena? 
Por muitos anos, Nova Orleans foi considerada a cidade mais complicada do pas. Nada parecia funcionar. Depois do furaco Katrina, veio  tona a dramtica realidade das escolas. Crianas do 8 ano tinham o mesmo nvel das do 2 ano. Um desastre. Em cinco anos, o percentual de crianas que atingem o padro exigido pelo estado mais do que dobrou. Cerca de 40% dos diretores de escola so ex-membros do Teach for America. O atual secretrio de Educao de Louisiana tambm pertenceu ao nosso programa. 

J  possvel avaliar o impacto do programa em outros pases? 
Estamos h dez anos na Inglaterra. O sucesso  enorme. Cerca de 60% dos recrutados ficam na rea da educao. Estive h pouco em Londres e visitei a King Solomon Academy, que faz um trabalho extraordinrio. L, as crianas do 5 ano esto no nvel das do 7 ano das escolas na vizinhana. Sou otimista quanto ao futuro. Os problemas da educao so muito parecidos em todos os pases, o que significa que as solues podem ser compartilhadas. 

Se fosse possvel copiar o sistema educacional de algum pas, qual deveria ser o escolhido? 
Todo mundo est infeliz com seu sistema educacional. Na Coreia do Sul, quem diria, o nvel de insatisfao  abissal. Falei com empreendedores sociais, estudantes, empresrios, autoridades do governo. Todos dizem que o sistema est falido. 

Mas, nas provas internacionais, os coreanos no esto entre os melhores? 
Os pais pagam para os filhos irem a academias privadas, que ensinam o que a escola regular no ensina. Os alunos entram s 3 da tarde e saem s 11 da noite. O dado relevante na Coreia  o poder de uma cultura que valoriza a educao. Se as crianas no esto aprendendo na escola, em algum outro lugar elas tero de aprender. 

A senhora teve um professor favorito? 
Tive dois. Ambos me mostraram que meu potencial era maior do que eu imaginava. Por coincidncia, os dois trabalhavam com a escrita. Sei escrever por causa deles. E escrever direito me serviu tanto na vida... 

 verdade que a senhora coloca o despertador para 3 ou 4 da manh? 
 verdade. Meu ideal  deitar s 9 da noite, e gosto de ter algumas horas para mim antes que as crianas acordem. (Wendy um filhos de 13, 11, 9 e 5 anos.) 

A senhora conhece os professores dos seus filhos? 
Lgico, conheo todos. 


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O MURO DE ARRIMO DO DOUTORZECO
     A notcia trgica desaba sobre uma universidade sria: levou bomba no MEC o curso de engenharia civil! O assunto justifica infindveis elucubraes, mas me detenho apenas em um aspecto, por ser uma birra minha, por dcadas. 
     Na justificada nsia de consertar, foram trocados seis professores. No tinham mestrado e foram substitudos por doutores em tempo integral, como gosta o MEC. Com isso, atende-se a uma das exigncias para reabrir os vestibulares. 
     Esse remendo est no epicentro de um dos maiores equvocos do MEC. A legislao do ensino superior veio da cabea de cientistas  alguns notveis. Por isso, as atividades clssicas de pesquisa nas reas cientficas foram corretamente tratadas e valorizadas.  
     Lastimavelmente, esse marco legal ignorou a existncia, dentro do ensino superior, de cursos profissionais e de servio. Em engenharia, direito, administrao, pedagogia e outros  necessrio somar bons professores nas disciplinas de formao terica aos das aplicadas. E, de quebra, cumpre oferecer a experincia prtica de aplicar. 
     Em um livro clssico (The Reflective Practitioner), D. Schoen fala das ruminaes no verbalizadas dos profissionais ao realizar o seu trabalho. So descritas como experincia tcita, "teoria do olho clnico", ou o interstcio no codificado entre o que descreve a teoria e o ato de fazer. Da que: (1) adquirir essa metalinguagem  parte inseparvel da profissionalizao; (2) apenas verdadeiros profissionais podem transmitir essa dimenso do profissionalismo; (3) leva tempo para formar um profissional. 
     Um belo exemplo  dado pelo programa de um hospital australiano que, por seu sucesso, foi replicado pelo mundo afora. A direo do hospital notou que morriam trs quartos dos pacientes por parada cardaca. Identificando o problema como demora no atendimento, criou uma equipe sempre pronta para agir to logo ouvisse pelos alto-falantes o termo "Code Blue". Com isso, caiu a mortalidade, mas apenas alguns pontos percentuais. Nova providncia: qualquer mdico ou enfermeira poderia acionar o Code Blue, mesmo que os sinais vitais do paciente estivessem normais. Ou seja, se o jeito estivesse suspeito, mesmo sem os sintomas clssicos, poderiam soar o alarme. Surpresa! A mortalidade caiu para menos da metade. Moral da histria: o que salva os pacientes  o que no est nos livros de medicina, mas na "teoria da prtica".  o "olho clnico". O prprio mdico no sabe explicar por que chegou a tal diagnstico, mas intui que algo est errado. Os novatos precisam adquirir tal experincia, mas apenas quem a tem pode oferec-la. 
     Portanto, cada disciplina requer professores com o perfil talhado para ela. Do professor de clculo, nada melhor do que exigir um doutorado. Mas o professor que ensina a construir prdios deveria ser algum, que acumulou anos no canteiro de obras. Se houvesse doutores com essa experincia, tanto melhor. Mas no h, pois doutorados preparam para a pesquisa e para a universidade. 
     Se o MEC melhora as notas de quem substitui verdadeiros profissionais por jovens doutores que nada sabem de construir prdios, o resultado desse equvoco  grotesco. Premia quem ensina uma profisso que no tem, apenas leu livros e escreveu papers. Os professores dispensados, com mais de 35 anos de experincia, tinham escritrio de engenharia respeitado e prestavam consultoria. E, obviamente, ensinavam em tempo parcial, pois no poderiam abandonar sua empresa. Para os alunos, isso  timo, assegura que o professor ensina a engenharia que se pratica de verdade. Para o MEC, tempo parcial perde ponto. No deveria ser o contrrio, perder ponto se fosse tempo integral? 
     Igualmente ausente das polticas pblicas  a valorizao da competncia na sala de aula.  a didtica do cotidiano, adquirida com a experincia. No caso, professores consagrados e estimados pelos alunos foram substitudos por jovens que ainda vo aprender a dar aula. Pssimo para os alunos, mas no comove o MEC. Conversa de corredor na universidade: "Pois , tiraram nossos engenheires e os substituram por 'doutorzecos' que jamais fizeram um muro de arrimo". Quem tem razo, os alunos ou o MEC?

CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista.


5. MALSON DA NBREGA  FEDERALISMO: PERIGO  VISTA
     A federao brasileira  uma das mais descentralizadas do mundo, mas essa no  a opinio de governadores e prefeitos, para os quais o governo federal centraliza excessivamente as receitas. Alegam que a Unio fica com 70% da arrecadao, restando 24,5% para os estados e 5,5% para os municpios.  verdade, mas h que considerar o dinheiro transferido mandatoriamente para esses ltimos. A o quadro comea a mudar: a Unio fica com 58%; os estados e municpios passam de 30% para 42%. A situao muda de vez ao se considerarem as responsabilidades constitucionais da Unio. A fatia que lhe cabe na receita  compatvel com suas obrigaes. 
     Competem  Unio os gastos obrigatrios com previdncia (INSS), educao, sade e encargos da dvida federal. Somados s transferncias a estados e municpios, perfazem cerca de 90% das receitas federais. H tambm despesas obrigatrias na prtica, como as de defesa, fiscalizao e investimentos mnimos em infraestrutura. Restam  Unio menos de 5% da receita para financiar outros gastos (algo como 60 bilhes de reais no Oramento de 2013).  
     Em menor grau, essa rigidez oramentaria j existia nos anos 1980. Sem ligarem para isso, governadores e prefeitos empreenderam bem-sucedido movimento em prol de maiores transferncias. Em 1979, a Unio transferia 20% do imposto de renda e do IPI. Aps trs reformas constitucionais e a Constituio de 1988, esse percentual saltou para 47% do IR e 57% do IPI, incluindo 3% para fundos regionais de desenvolvimento. Os impostos da Unio sobre combustveis, minerais, transportes e comunicaes foram incorporados ao ICMS estadual. Alm disso, a Constituio elevou os gastos federais com pessoal, previdncia, educao e sade. Um desastre fiscal para a Unio  suas despesas obrigatrias aumentaram e as receitas diminuram. Se nada fosse feito, o dficit pblico e a dvida explodiriam. 
     A sada lgica seria aumentar as alquotas do IR e do IPI, os dois principais impostos da Unio. Acontece que, aps as transferncias e a vinculao de receitas  educao, remanescem na Unio metade do IR e um tero do IPI. Assim, seria necessrio cobrar o dobro do IR e o triplo do IPI, penalizando, ainda mais os contribuintes. A soluo menos danosa seria recorrer s contribuies, que pertencem inteiramente  Unio. Elas no geram transferncias para outras esferas de governo nem aumentam automaticamente gastos. A qualidade do sistema tributrio pioraria, mas se evitaria o colapso das finanas federais. 
     A carga tributria saltou de 21% para 36% do PIB entre 1987 e 2012. A est a origem da complexidade dos tributos federais, que se agravou ainda mais com o aumento real de 115% do salrio mnimo entre 1994 e 2012. Houve dramtica expanso dos gastos do MSS. O salrio mnimo reajusta trs quartos dos benefcios e mais de 40% da despesa total. O manicmio fiscal se instalou. O peso dos gastos e o caos tributrio constituem, hoje, o principal obstculo  expanso do potencial de crescimento da economia e da gerao de bem-estar. 
     Mesmo assim, governadores e prefeitos resolveram reeditar o movimento dos anos 1980 e querem mais dinheiro da Unio, usando a mesma tese furada da excessiva centralizao. Como parece claro, a centralizao de receitas foi a consequncia natural da deciso da sociedade de elevar as transferncias e os gastos sociais, particularmente os do INSS. A proposta atual dos governadores  transferir, ao longo de cinco anos, mais 5% das receitas federais para os estados e municpios. 
     Se a medida vigorasse em 2013, haveria transferncias adicionais aos estados e municpios de cerca de 60 bilhes de reais. A Unio perderia totalmente sua hoje exgua margem de manobra. Teria de aumentar a dvida ou a carga tributria. Seria um novo desastre fiscal. Candidatos  Presidncia da Repblica se juntaram ao movimento. Se por acaso um deles ganhar as eleies, herdar um processo oramentrio ainda mais disfuncional e custoso. Liderar um pas propenso  estagnao ou ao descontrole inflacionrio. O perigo  enorme, inclusive por causa da incapacidade de articulao do governo. Que o diga o caso dos royalties do petrleo, uma das faces dessa histria.
MALSON DA NBREGA  economista


6. LEITOR
ROSEMARY E O PODER
 difcil entender a Justia brasileira. Com as provas citadas na reportagem "Que rainha sou eu?" (24 de abril), a respeito da ex-secretria Rosemary Noronha e de casos concretos de corrupo em conluio com o ex-presidente Lula, fora o mensalo e outras mculas, como ambos ainda esto livres?
FRANCISCO C. ZANELLA NUNES
Florianpolis, SC

Vulgaridade e promiscuidade atingem e degradam as nossas instituies, prprias dessa gente que nos governa.
LUDINEI PICELLI
Londrina, PR

VEJA realiza mais uma vez um excelente servio em favor da lisura ao mostrar desvios e desmandos praticados por uma funcionria sem representatividade.
MIGUEL SCOFANO
Niteri, RJ

Espero que dona Marisa faa como Pedro Collor...
GERALDO CUNHA CARVALHO JR.
So Lus, MA

Com requintes de uma obra shakespeariana, o escndalo da rainha de Lula e seus bastidores vo lhe ensinar com quantos espinhos se faz uma rosa.
GILBERTO DIB
So Paulo, SP

Esse tratamento de majestade dado  Rosemary, independentemente de onde estivesse, ultrapassou o limite da minha compreenso. Todos os podres desse reinado, relatados com tanta clareza e provas, vo surtir algum efeito bombstico sobre o ex-rei? No ponho f. Sempre fica "tudocomo dantes no reino de lulantes"...
SNIA MARIA PIVA AMARO
So Jos do Rio Preto, SP

A situao lembra a afirmao de Karl Marx: "A histria se repete, a primeira vez como tragdia e a segunda como farsa". Dois sculos atrs, na provncia de So Paulo, um governante brasileiro tinha uma amiga, a marquesa de Santos, que tambm conseguia excelentes empregos pblicos e facilidades em geral. 
VITOR PEREIRA
Carlos Barbosa, RS

O poder exercido por Rosemary no se origina dela mesma. Algum, mais poderoso do que ela, lhe deu toda aquela fora. Quem lhe permitiu intermediar encontros com o "PR"? Que lhe deu o privilgio de hospedar-se na embaixada brasileira em Roma? Quem lhe possibilitou viajar nas comitivas presidenciais? Ela apenas ps em prtica o que lhe colocaram nas mos. A punio, se  que vai haver, deve recair sobre quem a fez to poderosa.
ROBERTO DOGLIA AZAMBUJA
Braslia, DF

Coisas desse tipo vo acontecer enquanto no houver uma oposio sria no Brasil.
CLUDIO J. BERTOLI
Curitiba, PR

Rosemary no resistir aos acenos de uma delao premiada. Sua alteza Lula deve sentir calafrios s de pensar nisso.
ANTONIO ADENILSON RODRIGUES VELOSO
Montes Claros, MG

Enquanto tantos brasileiros se sacrificam, trabalhando arduamente todos os dias, a dama se sustenta, no fim das contas, do salrio deles.
BEATRIZ MARINS CORRA DE S
Curitiba, PR

Os "bobos da corte" pagam, as contas enquanto sua "majestade" faz compras e passeia e usufrui  vontade os bens pblicos.
SHEILA MARIA DOS SANTOS
Barra dos Coqueiros, SE

A imprensa cumpre o seu papel de informar. Falta a Justia condenar os culpados.
MARCOS PENNHA
Ilhus, BA

REDUO DA MAIORIDADE PENAL
Cada brasileiro deveria se colocar no lugar dos pais do jovem Victor Hugo Deppman, nem que fosse s para imaginar a dor que esto sentindo e apoiar a causa de alguma forma, comentando nas redes sociais, escrevendo  imprensa e ao seu deputado, vereador, senador, para cobrar deles algo que deve ser feito ("O dever de reagir", 24 de abril).
WILSON FREITAS
So Paulo, SP

At quando teremos de suportar jovens que cometem atrocidades amparados pela impunidade?
MARIA GORETI KLEIS TOMIO
Itaja, SC

VEJA apresentou uma excelente defesa da reduo da maioridade penal.
ANTONIO SALES
Nova Andradina, MS

Vimos h poucos dias a priso de uma quadrilha de menores, suspeita de roubos, assaltos e assassinatos, cujo chefe tem apenas 14 anos e j cometeu dois assassinatos. Algum, de s conscincia, poder dizer que quem tem maturidade bastante para comandar um grupo criminoso, em que muitos integrantes tm mais idade que ele, no a tem para definir o certo e o errado? A soluo para esse drama est no artigo 5 da nossa Constituio, que reza: "Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza...". O nico privilgio admissvel, como tm os insanos,  de at certa idade uma comisso de psiclogos, psiquiatras e juristas determinar se o infrator tinha cincia de estar cometendo um crime.
JOAQUIM AFONSO SOUZA DE MORAES
Uberlndia, MG

Se menores (e maiores) ainda oferecem riscos  sociedade, devemos apart-los do meio social. O direito individual  liberdade no pode se sobrepor ao direito coletivo  segurana.
ROBERTO VIANA SANTOS
Salvador, BA

Bem sabemos que devemos proteger as crianas e os jovens, mas isso no lhes d o direito de tirar a vida dos nossos filhos. Cada um deve responder na medida do entendimento do ato que praticou.
CORONEL CAMILO
Vereador (PSD)
So Paulo, SP

Que o estado acorde de sua eterna, indecorosa e perversa letargia e propicie educao e oportunidades a todos:  mais fcil no criar assassinos do que tentar recuper-los depois.
MYSIAN MACEDO
So Paulo, SP

LYA LUFT
O extraordinrio artigo "Brasileiro bonzinho?" (24 de abril), da escritora Lya Luft,  um retraio vvido e em alta definio da violncia praticada por menores assassinos no Brasil.
PEDRO SANTA INS
Jeremoabo, BA

Estamos todos afogados na violncia, que cresce de forma vertiginosa, assistindo  inrcia do estado e de seus poderes constitudos.
MAURCIO JOS MANTELLI MARANGONI
Araras, SP

 impressionante como as famlias foram obrigadas a criar estratgias rgidas de segurana em sua vida.
ANA LCIA AGUIAR CAVALLIERI
Rio de Janeiro, RJ

At quando vamos suportar tanto descaso, desfaatez, falta de empenho do governo em nos dar sade, educao e segurana?
LUCIMAR SANTOS SANTINI
Caxias do Sul, RS

Com 53 anos de idade, eu definitivamente quero ir embora do Brasil!
CLUDIO TEIXEIRA
Barueri, SP

Precisamos urgentemente realizar uma grande cruzada para fazer cumprir o que est escrito em nossa bandeira ("ordem"), pois os nossos governantes j se esqueceram disso h muito tempo.
PEDRO P. BALSEMO
Ivoti, RS

TERROR EM BOSTON
Sou mdico psiquiatra e trabalho em ambiente  que atende  sade pblica em Porto Alegre. Comovido, li a reportagem "De novo, o pesadelo", referente aos ataques na maratona de Boston. O que me levou s lgrimas foi o seguinte trecho: "No Boston Children's Hospital (...) j havia quatro equipes em torno de camas vazias no setor de emergncia, esperando apenas a chegada das vtimas". Esse  o cuidado com as pessoas para o qual todos ns, profissionais de sade, fomos treinados. Infelizmente, no caos atual das emergncias do Brasil, essa condio  invejvel  jamais acontecer. A s nos restaria pensar sobre quantos pacientes morreriam nas mesmas condies caso esse fato se desse no Brasil. E novamente chorar.
FLAVIO PECHANSKY
Porto Alegre, RS

No estar atento  possibilidade de um ataque terrorista pode ser fatal, e a percepo da desateno pode inclusive atrair grupos extremistas ao pas.
MAURO SALVO
Porto Alegre, RS

Improvisar segurana  o mesmo que avalizar o terrorismo. Nesse contexto, por se tratar de delito de repercusso nacional e internacional, a coordenao de defesa deveria ser das Foras Armadas brasileiras, por terem know-how e uma qualidade que as difere dos demais rgos do estado: hierarquia e disciplina.
EXPEDITO SANDRO DE BARROS SILVA
Curitiba, PR

J.R. GUZZO
Discordo de J.R. Guzzo quanto ao ttulo de seu artigo "Um mundo escuro" (24 de abril). No, meu caro Guzzo, o mundo no ser escuro enquanto voc tiver voz e puder lanar sua "luz" em nossa mente, expressando sua opinio clara e consistente sobre as coisas da vida. Esse artigo podia ser meu e de tantos outros.
MRCIA ROIZENBRUCH
Belo Horizonte, MG

J.R. Guzzo escreveu tudo o que me sufoca e falou por mim.
ANDR PIETKO DA CUNHA
Porto Alegre, RS

Vivo nesse "mundo escuro" brilhantemente descrito por J.R. Guzzo, pois diariamente somos bombardeados por "bandeiras" criadas sem argumentos e por tantas vezes sem fundamentos tambm. Se no fico  vontade diante de um casal homossexual que troca beijos e caricias em pblico... sou homofbica. Se no acho coerente a instalao de cotas raciais... sou racista. Os fatos me parecem distorcidos ou simplesmente ignorados por gente intolerante que grita sua opinio como verdade absoluta. Ser que perdemos o direito de raciocinar e argumentar sobre essas questes?
CAMILA TREVIZAN
Ribeiro Pires, SP

Senti-me de alma lavada ao ler o artigo de Guzzo. Estou cansada de tanta chatice e de ter de seguir uma cartilha escrita por pretensiosos e becios. Obrigada, VEJA!
MAGALY MOREIRA
Salvador, BA

Guzzo foi certeiro ao apontar a interdio do debate por meio da auto-outorga da infalibilidade por parte dos "bons", que estariam sempre do lado certo. Um exemplo  a questo da maioridade penal, tratada com lucidez na mesma edio da revista. Quem defende a reduo da maioridade penal, ou mesmo que se dem, ao menos, poderes aos juzes para decidir sobre a capacidade do indivduo de responder por seus atos, pode ser considerado um reacionrio, insensvel, inimigo das crianas, violador da Constituio etc. Quem est certo sobre o assunto, ento, so a CNBB e alguns professores de direito esclarecidos? Logo, pedir que cada um responda por seus atos individuais, num patamar razovel, sem misturar a questo social com a falncia da segurana pblica no Brasil,  mesmo demais para os modernos "dspotas esclarecidos".
Luiz AUGUSTO MDOLO DE PAULA
So Paulo, SP

Excelente o artigo de J.R. Guzzo sobre a ditadura que nos  imposta pelas chamadas "minorias", cujos tentculos aprisionam at a imprensa, que se v tolhida em seu direito de opinio, notadamente se contrria aos seus dirigentes e militantes. Parabns ao colunista, que no se deixa intimidar e denuncia a escurido que pode nos cobrir caso no reajamos bravamente.
ONDINA MARIA MACHADO TIEMANN
Curitiba, PR

Li o artigo sobre o "movimento gay" e tambm as reaes de muitos nas redes sociais. O problema maior  a interpretao de texto. As pessoas s enxergam o que querem e o que convm. Como  moda ser "politicamente correto", h toda essa distoro, e assim seremos uma sociedade que no pode expressar seu pensamento.
MARIA CECLIA DOS SANTOS ALMEIDA
Cabo Frio, RJ

Surpreendem-me a dificuldade de discutir a maioridade penal e a facilidade para discutir o aborto. Os grupos "contra" a maioridade penal e "pr" abono se consideram donos da verdade e no admitem a discusso.
RODOLFO VAZ
Braslia, DF

Decerto,  uma grande verdade que so caractersticas humanas a violncia, a hipocrisia e a estupidez. O que nos diferencia  o grau. A violncia se combate com a fora policial; a hipocrisia, com a exposio dos fatos, mas a estupidez  invencvel.
PEDRO S
Serra, ES

ROBERTO ROMPEU DE TOLEDO
Pompeu nos brinda com timas reflexes. No seu artigo "Sob o Grande Coregrafo" (24 de abril), a descrio do regime da Coreia do Norte revela um povo cuja mente  controlada.
HLIO SOCOLIK
Braslia, DF

HUGO BARRA
Sobre a entrevista com o vice-presidente do Google, Hugo Barra ("2013  o comeo do fim dos PCs", 24 de abril), e sua f nas inovaes tecnolgicas, que nos traro mais tempo para pensar no que importa, lembro que, nos anos 60, na aurora da era da informtica, tambm foi prometido um mundo com mais lazer e tempo para o que importa. Deu-se o contrrio, com a infernal e frentica mistura de lazer e dever, os e-mails profissionais de fins de semana... E, afinal, as pequenas coisas no nos estressam, do prazer ao transcurso. S estressam uma gerao acostumada ao imediatismo, como a que cresceu sob o PC e a internet. Calma, pessoal!
BERTRAND DIAS KOLECZA
Porto Alegre, RS

IMIGRANTES QUALIFICADOS
Estrangeiros profissionalmente qualificados mudam a face do nosso pas ("Brasil para todos", 24 de abril). Brasileiros desqualificados eternizam prticas populistas. Continuamos ignorando a sorte de nossos jovens e reservando-lhes um futuro de cotas, bolsas assistencialistas e jegues.
DOUGLAS PAGNARD
So Paulo, SP

ELEIES 2014
Absurdo dos absurdos! O PT est criando no Brasil o mesmo sistema que o falecido Hugo Chvez imps na Venezuela para se perpetuar no poder ("A ordem  sufocar", 24 de abril). At quando vamos aguentar isso? Espero que esses desmandos acabem em breve.
ALEXANDRE ROCHA PINTO COELHO
Rio Casca, MG

A mais recente manobra do governo nos d a ntida sensao de que o nosso voto  intil. Infelizmente, as eleies so decididas pela grande parcela da populao que no tem acesso a educao e informao de qualidade.
MARCOS G. RISTOW
Blumenau, SC

Ser que Acio Neves (PSDB); Eduardo Campos (PSB), Marina Silva (RS) e Paulinho da Fora (PDT) no conseguem enxergar que a nica maneira de tentar derrubar essa quadrilha do governo (PT/PMDB)  se unirem? Esqueam seu ego em favor dos brasileiros honestos, decentes e trabalhadores.
LUIZ CARLOS LORENSETTI
Barretos, SP

A presidente Dilma no ter flego principalmente se Eduardo Campos (neto de Miguel Arraes) e Acio Neves (neto de Tancredo Neves) tiverem juzo e se unirem.
JOAQUIM ANTUNES
Belm, PA

VENEZUELA
Os governos de Venezuela e Brasil rezam pela mesma cartilha. As diferenas entre os dois residem naquilo que no Brasil ainda no conseguiram destruir: as instituies. Os exemplos esto a. No sejamos inocentes ("Chavismo sem as massas", 24 de abril).
CELSO LUIZ GAIXETTI SIUNGARDI
Puerto Ordaz, Venezuela

JUDICIRIO
Senti vergonha de ser honesta, de ter estudado duro e trabalhado sempre, criado e preparado filhas para serem cidads ntegras e corretas... Nmeros arrebatadores me revelam que os tribunais de Justia no Brasil deixaram passar, ou prescrever, 2918 processos penais envolvendo crimes de corrupo, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa em apenas dois anos (Nmeros, 24 de abril).
ANA MARIA GOMES FANTINI
Campinas, SP

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


7. BLOGOSFERA
ESPELHO MEU
LUCIA MANDEL
GRAVIDEZ
A mudana hormonal da gravidez pode aumentar a oleosidade da pele e causar espinhas. Como nem toda substncia  permitida nessa fase, o cido azelaico e o perxido de benzola so boas solues.
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QUANTO DRAMA!
PATRCIA VILLALBA
MOCINHOS
Os viles nem sempre so punidos nas novelas. Mas, no caso dos mocinhos, o que se faz aqui com certeza se paga alguns captulos adiante.  o caso de Tho (Rodrigo Lombardi), de Salve Jorge. Ele vai passar por um calvrio para limpar sua barra.
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CHEGADA
RENATO DUTRA
GINSTICA
Praticar ginstica aerbica trs vezes por semana ajuda a diminuir a taxa de gordura corporal. Se voc no gosta de esteira, bike nem musculao, faca aulas de ginstica. 
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GPS
PAULA NEIVA
MSICA E HUMOR
A atriz Clarice Falco  da trupe que faz o Porta dos Fundos  apresenta novo trabalho, o CD Monomania, com letras repletas de humor. Oua no blog a faixa j Eu Esqueci Voc. 
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SOBRE IMAGENS
A INGLATERRA NO COMEO DO SCULO XX
Casamentos, corridas de cavalo, torneios de tnis e polo. Mais do que cobrir eventos sociais no Reino Unido, o fotgrafo W.G. Phillips registrou os costumes dos britnicos no comeo do sculo XX. W.G. Phillips era fotgrafo da pioneira Topical Press Agency, aberta em 1903 em Londres e que rapidamente se tornou um gigante na cobertura de eventos esportivos, sociais e do cotidiano. 
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SOBRE PALAVRAS
PAGAR OU PACIFICAR
O verbo latino pacare, no qual o portugus foi buscar ainda no sculo XIII seu "pagar", tinha no idioma clssico de Ccero um sentido diferente: "pacificar". Tratava-se de uma das muitas palavras ligadas ao substantivo pax, "paz, tranquilidade, concrdia", um dos frutos da raiz indo-europea pac ou pag, que carregava a ideia de "unio". Foi s no latim vulgar, sculos mais tarde, que pacare ganhou a expanso semntica ("satisfazer, pacificar com dinheiro") que acabaria por informar o sentido moderno da palavra em nossa lngua  e tambm o de suas primas em francs (payer), italiano (pagare), ingls (pay) etc. O parentesco da pacificao com o pagamento  curioso, mas faz um profundo sentido. Credores e devedores jamais vivero em paz.
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NOVA TEMPORADA
DOWNTON HABBEY
A quarta temporada de Dowmon Abbey ainda est em fase de produo na Inglaterra  mas, enquanto os novos episdios no estreiam, os fs podem se divertir com a mais recente pardia da srie, feita por artistas da Broadway. Em um vdeo com dez minutos de durao, alguns cantores de musicais americanos apresentam o que eles classificaram como o preldio da quarta temporada. O vdeo foi gravado durante uma apresentao no 54 Below, um clube noturno de Nova York que costuma contar com a presena de cantores da Broadway. Assista no blog.
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 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINSTEIN SADE  RETOCOLITE EXIGE TRATAMENTO CONSTANTE
Embora no exista cura para a doena, novos medicamentos reforam o arsenal para mant-la sob controle.

     A retocolite ulcerativa  uma doena inflamatria autoimune que acomete o intestino grosso, sendo mais frequente entre adolescentes e adultos jovens. Por razes ainda desconhecidas, o sistema imunolgico do indivduo passa a atacar os tecidos dessa regio intestinal, provocando leses (lceras) que precisam ser tratadas. Dependendo da gravidade, pode haver complicaes, como hemorragia, infeco e megaclon txico (dilatao do intestino). Em determinadas situaes, o processo inflamatrio contnuo e descontrolado pode resultar em cncer. 
     Com evoluo crnica, seja de forma intermitente ou contnua, a retocolite ulcerativa  caracterizada frequentemente por diarreia com muco ou sangue nas fezes, clica, dor e desconforto abdominal. Em ocorrncias mais graves, provoca perda de peso e pode levar  desnutrio. O estresse pode associar-se ao incio ou agravamento do quadro. 
     Outras doenas do intestino, como a infeco por protozorios, apresentam sintomas parecidos, o que demanda ateno no diagnstico. Aps avaliao clnica, os mdicos costumam solicitar exames de sangue e de imagem, como tomografia computadorizada e ressonncia magntica. Chega-se ao diagnstico conclusivo por meio de colonoscopia, acompanhada de bipsia. 
     No h cura para a retocolite ulcerativa, mas h recursos que permitem control-la, garantindo qualidade  de vida aos pacientes. Restries dietticas so pontuais, necessrias apenas nos episdios mais agudos de diarreia. Mas ao longo da vida os pacientes no podero abrir mo de um suporte medicamentoso, orientado para tratar, prevenir ou inibir as inflamaes intestinais. 
     Casos menos graves so tratados com sulfa e derivados. Momentos de crise exigem o uso de corticoides, que no devem ser ministrados por um perodo longo em funo dos efeitos colaterais. Completam o arsenal os imunossupressores e as novas drogas biolgicas, j est disponvel no Brasil o infliximabe, que inibe o chamado fator de necrose tumoral, bloqueando o processo inflamatrio. Outras drogas biolgicas para retocolite esto em fase de aprovao pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. 
     Uma vez controlada a doena, o maior perigo para o paciente  suspender o tratamento. A retocolite ulcerativa exige acompanhamento constante e uso de drogas anti-inflamatrias, ainda que em pequenas dosagens. Mesmo quem no apresenta sintomas, pode ter inflamaes ativas observveis apenas microscopicamente.  um fator de risco que pode ser evitado se a retocolite for tratada como devem ser todas as doenas crnicas: de maneira permanente.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
Sugira o tema para as prximas edies: paginaeinstein@einstein.br
Sua sade  o centro de tudo.
f/hospitalalberteinstein
t@/hosp_einstein
Youtube/HospitalEinsten

Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949

